segunda-feira, 26 de outubro de 2009

80. ANA

Hoje em dia, ou melhor, sobre o que quero falar já existe desde os tempos mais remotos, mas atualmente está aparecendo e causando certa preocupação. Apresento a vocês ... a Ana.
A Ana já foi minha amiga e, infelizmente, é amiga de muitas outras mulheres; péssima amizade.
Um triste dia me olhei no espelho e percebi a necessidade incontrolável de perder peso. Pensei em apenas parar com os doces mas a coisa foi mais além...não comia meu café, dava um fim no meu almoço e da mesma forma fazia com o jantar. Todo o dia era a mesma luta contra a comida, o mesmo desafio e estratégias para driblar as pessoas afim de encontrar o precioso lixo que daria um fim àquela coisa, até então nojenta, chamada comida. Qualquer maçazinha que levava à boca já se ouvia a Ana sussurrando lentamente ‘’ não coma, isso engorda’’, e se não a ouvisse eram horas pulando corda pra aniquilar aquela fruta engordativa. A dor era insuportável, a mente me culpando o tempo todo, as pessoas me olhando com preocupação quando ( pra mim , inacreditavelmente) se assustavam com a minha magreza.
A Ana no início parece amável e certa, mas no final ela destrói. Escrevo isso com muita dor, quem me conhece sabe que não gosto de lembrar disso, mas penso que é bom compartilhar esse tipo de experiência por ser, mesmo que as vezes imperceptível, parte da realidade de muitas meninas que precisam de ajuda.
O culto ao corpo tem forte influência da mídia; mulheres idealizadas em propagandas, modelos com seus corpos magros fortalecendo a idéia de que aquilo é bonito, aquilo é o ‘padrão’ de beleza. É esse padrão que a Ana diz te ‘ajudar’ a alcançar. A anorexia é uma doença massacrante e sofrível. Nunca se está satisfeita com si mesma; quando se entra no NOFOOD logo chegam as tonturas, fraquezas; nem pra lavar a cabeça se tem força. O medo de engordar domina a mente, é só nisso que se pensa e é pela magreza que se vive. A minha sorte foi ter um irmão extremamente atento em mim e conseguiu me salvar de um final cuja a volta seria impossível. A recuperação não foi nada fácil; ter que comer o que se considera um veneno fatal (comida), sair dos 36 quilos, encarar um corpo novo ( e ...grande) é uma luta com o seu psicológico extremamente dilacerante. São meses de dor, e é uma dor que se espalha entre amigos e familiares.
Conclusão...apesar de recaídas, me equilibro em um peso que consideram saudável e com um corpo que consideram ideal. Tenho como moral dessa historia toda que: a verdadeira beleza não é refletida pelo corpo, e sim radia da mais pura essência, do mais profundo sentimento, do simples fato de sorrir e transmitir o que realmente encanta...você.


Gabriela Berner - 1202

2 comentários:

  1. Gabi, você tocou em um assunto que realmente é muito importante que os jovens tomem conhecimento, principalmente as meninas. Essa é uma doença que está muito presente entre as pessoas atualmente, mas que não é tratada com a importância que deveria ter. Sem dúvida a mídia e os padrões de beleza impostos por ela são grandes incentivadores dessa doença.

    Barbara Mendes n15 turma 1202

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  2. Gabi, ótimo texto!!
    queria te falar que eu te admiro muito pela sua
    força e sua coragem de sair desta situação!
    e é bem como vc escreveu,
    a verdadeira beleza não é aquela que somente fica na "casca" mas sim aquela que mora dentro de vc. E gabi, vc é um dos maiores exemplos disso,uma menina doce,amavel e feliz que conseguimos ver essa beleza resplandecendo nas suas atitudes e exemplos.

    parabéns pela vitoria !!!


    matheus mandarino

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